O cartão de crédito para as classes C, D e E é a nova aposta da Rio Bravo Investimentos, empresa que tem como sócio o ex-presidente do Banco Central Gustavo Franco. Em março, a Rio Bravo adquiriu uma pequena operação de cartões para compra de medicamentos que pertencia à gigante francesa Sodexho Pass e transformou na Unik, uma operadora que já distribuiu 600 mil cartões para funcionários de 2 mil empresas, entre elas Sadia, Unilever, Minas Gás e Eletrolux.
Na verdade, trata-se de um cartão de benefícios que funciona como cartão de crédito pré-pago consignado. O usuário ganha um limite autorizado pelo empregador, estabelecido de acordo com a renda mensal. O valor é descontado do salário na folha de pagamentos pela empresa, explicou José Roberto Kracochansky, ex-executivo que deixou a Rio Bravo para assumir o comando da Unik. 'Quando conhecemos a empresa vimos que ali tinha um cartão de crédito para baixa renda', disse Kracochansky.
A maioria dos usuários tem renda mensal até R$ 800. A estratégia foi abrir o uso do cartão para compra dos bens mais consumidos pela população de baixa renda. A Unik ampliou a rede de aceitação, que antes era de 6 mil farmácias, para 12 mil estabelecimentos comerciais, acrescentando supermercados e revendas de bujões de gás, a maior parte localizada nas periferias das grandes cidades. 'Não adianta dar cartão com limite para a pessoa comprar remédio porque se ela não tem dinheiro suficiente para outras necessidades básicas, não vai comprar remédio', explicou o executivo.
De janeiro a junho de 2005, a Unik faturou R$ 55 milhões, 35% acima do faturamento registrado no mesmo período de 2004, quando o cartão era usado só em farmácias. 'Ainda estamos aprendendo com essa operação', afirmou Kracochansky. Segundo ele, o mercado de baixa renda apresenta desafios pouco explorados pelas operadoras tradicionais de cartões. Um dos maiores é a comunicação com o cliente de baixa renda, que não conhece e tem receio de utilizar o cartão.
'Fizemos uma campanha de ativação (para aumentar o uso) do cartão oferecendo 'o dobro' em compras para cada real gasto, até um certo limite. Não funcionou e descobrimos depois que muitas pessoas humildes e de baixa escolaridade não entenderam o que significava o dobro', relata o executivo.
Fonte: Valor - SP 05/08/2005